Lance mínimo para compra da marca é de R$ 72 milhões

SÃO PAULO – Após os credores aprovarem seu plano de recuperação judicial em agosto, o Grupo Abril se prepara para realizar o leilão da marca “Exame”, que acontece no dia 5 de dezembro.

Desde abril, a editora é controlada e presidida pelo empresário Fábio Carvalho, conhecido por assumir empresas em dificuldades financeiras. A companhia estima colocar à venda o prédio da Marginal Tietê, em São Paulo, e imóveis em Campo do Jordão. A venda dos ativos será utilizada para pagar os credores
que possuem dívidas com o grupo de até R$ 10 mil.

Conforme o edital de oferta pública, o valor mínimo para a marca Exame, que será leiloada como uma Unidade Produtiva Individual (UPI), é de R$ 72,374 milhões. Para participar dos lances presenciais, os interessados deverão manifestar interesse protocolando uma petição nos autos da Recuperação
Judicial e comprovar capacidade econômica, financeira e patrimonial para apresentar propostas superiores ao preço mínimo e atender as condições previstas no Edital de oferta.

Longa Crise

O Grupo Abril, responsável pelas revistas “Veja”, “Cláudia”, entre outras publicações, entrou com o pedido de RJ – que suspende os pagamentos de dívidas do grupo a credores por 180 dias – em agosto do ano passado, após passar por uma reestruturação que gerou uma série de demissões e a extinção de títulos, como “Elle” e “Playboy”.

A empresa na época estava sendo administrada por Marcos Haaland, sócio da consultoria americana Alvarez & Marsal, que montou um plano de reestruturação da dívida de R$ 1,6 bilhão, considerada impagável pelo mercado, com desconto de 92% nos débitos e 18 anos de prazo para pagamento.

Em dezembro do mesmo ano, Fábio Carvalho comprou a companhia pelo “valor simbólico” de R$ 100 mil e prometeu injetar R$ 70 milhões nos cofres da Abril para equilibrar o negócio.

Novos caminhos

Uma das formas encontradas pela nova administração foi a venda de ativos do grupo separado em Unidades Produtivas Isoladas (UPIs), medida prevista na lei de recuperação judicial para as empresas captarem recursos e, assim, terem fluxo de caixa para desenvolvimento das suas atividades econômicas.

Segundo o advogado Gilberto Giansante, sócio do escritório Giansante Advogados, as UPIs são vendidas sem qualquer passivo para que o preço seja mensurado sem os riscos e o valor de venda não fique tão inferior. “A lei optou fazer esse tipo dispositivo para que as empresas em recuperação judicial
pudessem vender seus ativos por um valor mais justo a fim de se conseguir pagar os credores. Ao retirar esses débitos mais pessoas podem se interessam pelo bem e o seu preço aumentar”, explica Giansante.

O jurista ainda pontua que o mecanismo visa diminuir as barreiras enfrentadas pelas empresas em RJ com ativos que, às vezes, vão à falência com bens até superiores aos passivos, mas que não conseguem ser vendidos por conta dos passivos tributários e trabalhistas.

Além da Exame, o grupo Abril pretende vender a UPI Marginal Tietê em até 20 meses após a homologação do plano, e a Campos do Jordão, em até 36.

Fonte: Infomoney